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Dados ilimitados? Nomad
Em resumo: quem chega ao Brasil como turista quase sempre não consegue ativar um chip pré-pago local, e o motivo não é preço nem cobertura. Desde novembro de 2021, a ativação de linhas pré-pagas segue o procedimento conhecido como ID Digital, descrito pela própria Anatel: além dos dados pessoais, o titular precisa informar número de CPF, data de nascimento e CEP de residência, aceitar um Termo de Veracidade e enviar uma selfie junto com a captura do documento de identificação original — a agência cita CNH e RG como documentos aceitos. Um visitante estrangeiro em viagem curta normalmente não tem CPF nem CEP residencial brasileiro, e é aí que o processo trava, muitas vezes já com o chip comprado. Some-se a isso o programa Celular Legal, que bloqueia aparelhos irregulares pelo IMEI, e a regra de certificação em vigor desde 6 de abril de 2025, pela qual a Anatel só homologa celulares com 4G ou superior. A conclusão prática é direta: para uma viagem ao Brasil, o eSIM de roaming instalado antes do embarque é o caminho que não depende de cadastro local, e o chip brasileiro só faz sentido para quem vai residir, trabalhar ou estudar no país.
Esta página foi reescrita em setembro de 2026 apenas com fontes primárias: os documentos e páginas oficiais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sobre cadastro de pré-pagos, Celular Legal, homologação de aparelhos e o Relatório de Monitoramento da Competição, além da medição independente da Opensignal e da especificação de eSIM da GSMA. Não é uma tabela de preços ordenada por valor. No Brasil, o que costuma estragar a viagem não é a tarifa — é o cadastro, o aparelho e a distância entre as capitais e o interior.
- 1. O obstáculo real: ID Digital, CPF e CEP
- 2. Celular Legal: o aparelho também é fiscalizado
- 3. Desde 6 de abril de 2025, só se certifica aparelho com 4G — mas 2G e 3G não foram desligados
- 4. Como está a rede brasileira em números oficiais
- 5. Roteiro prático, na ordem certa
- Perguntas frequentes
- Referências (fontes primárias)
1. O obstáculo real: ID Digital, CPF e CEP
O Projeto Cadastro Pré-Pago é conduzido pela Anatel e executado pelas prestadoras (Algar, Claro, Oi, Sercomtel, TIM e Vivo) a partir de um Plano de Ação Setorial aprovado pela agência em 2018. Depois de uma campanha nacional de atualização cadastral entre abril e novembro de 2019 e de um portal de consulta por CPF inaugurado em janeiro de 2020, o processo de ativação foi endurecido em novembro de 2021 com a solução ID Digital.
A descrição da própria Anatel deixa claro o que é exigido, na ordem em que acontece:
- Você insere no aparelho o chip pré-pago comprado e ainda não utilizado, e recebe uma notificação da prestadora para iniciar a ativação.
- Informa CPF, data de nascimento e CEP de residência. Esses dados são verificados pela prestadora antes de o processo continuar.
- Se a validação passar, é feita a captura do documento de identificação original e de uma foto (selfie) do titular.
- É necessário concordar com o Termo de Veracidade das informações prestadas.
Repare no ponto 2. Um turista em viagem de duas semanas normalmente não tem CPF e quase nunca tem um CEP de residência no Brasil. Não existe, na descrição oficial do procedimento, uma trilha alternativa pensada para visitantes de curta duração: os documentos citados como aceitos são CNH e RG, ambos brasileiros. Na prática, o passaporte estrangeiro não substitui o par CPF + CEP nessa etapa automatizada.
Existe um caminho para quem realmente precisa de número brasileiro: obter CPF junto à Receita Federal e usar um endereço no país. Mas isso é um processo administrativo, não uma compra de balcão no aeroporto — e é exatamente por isso que o eSIM de roaming resolve a viagem e o chip local resolve a mudança. São problemas diferentes.
2. Celular Legal: o aparelho também é fiscalizado
O segundo filtro é o aparelho. O programa Celular Legal, da Anatel, combate o uso de celulares irregulares no país: aparelhos sem homologação, sem IMEI válido ou com IMEI clonado entram em uma base nacional de irregulares e deixam de acessar as redes móveis brasileiras. A agência mantém uma consulta pública de Situação do Celular (IMEI), em que o usuário verifica o próprio aparelho antes de viajar.
A orientação oficial de compra da Anatel explica por que a homologação importa para o visitante: os modelos homologados para o mercado brasileiro passam por testes de segurança, emissões de radiofrequência e interoperabilidade, justamente para garantir compatibilidade com as redes das operadoras brasileiras. Um aparelho comprado fora e não homologado não é automaticamente bloqueado — o ponto crítico é ter um IMEI válido e registrado internacionalmente, e bandas compatíveis com as redes usadas no Brasil.
A consulta aos produtos homologados é feita pelo Sistema de Certificação e Homologação (SCH) da Anatel, filtrando por Telefone Móvel Celular. Vale checar o modelo antes de embarcar, sobretudo se o aparelho for de marca com pouca presença no mercado brasileiro.
3. Desde 6 de abril de 2025, só se certifica aparelho com 4G — mas 2G e 3G não foram desligados
Pelo Ato nº 14430, de 7 de outubro de 2024, a Anatel passou a exigir que apenas celulares e estações terminais de acesso compatíveis com 4G ou tecnologia superior possam ser certificados. A regra vale desde 6 de abril de 2025 e resultou da Consulta Pública nº 36/2024 e do Edital nº 23/2023, ambos voltados a acelerar a transição de 2G e 3G para 4G e 5G.
Aqui há uma confusão comum que vale desfazer, porque muda a decisão de compra. A própria Anatel esclarece que o Ato 14430/2024 não indica o desligamento das redes 2G e 3G: essas ações de transição serão definidas pelas prestadoras, com acompanhamento da agência, para evitar prejuízo aos consumidores. Ou seja: quem chega ao Brasil com um aparelho antigo não fica sem rede da noite para o dia, mas também não deve contar com isso indefinidamente. O que a regra encerra é a entrada de novos aparelhos sem 4G no mercado.
Para efeito prático de viagem: um smartphone com 4G/VoLTE e suporte a eSIM é o cenário confortável. Aparelhos que só têm 3G funcionarão hoje, mas estão perdendo terreno e não são a base sobre a qual planejar uma viagem em 2026.
4. Como está a rede brasileira em números oficiais
O Relatório de Monitoramento da Competição do segundo trimestre de 2026, divulgado pela Anatel em 15 de julho de 2026, dá a fotografia mais recente do mercado:
- 276,4 milhões de acessos de telefonia móvel, com expansão anual de 3,7%.
- O 5G já representa 23,9% da base, o equivalente a 66,1 milhões de linhas.
- Na participação de mercado móvel, Vivo aparece com 37,9% (adição líquida de 1,02 milhão de acessos) e TIM com 22,4%.
- Na banda larga fixa são 55,4 milhões de acessos, com a fibra óptica passando de 80% do total (44,7 milhões) — o que explica a qualidade do Wi-Fi em hotéis e cafés nas capitais.
- A agência registra, porém, níveis de concentração de mercado em municípios com menos de 30 mil habitantes, tanto no móvel quanto na banda larga fixa. Traduzindo para o viajante: no interior, a escolha de rede pesa muito mais do que nas capitais.
Do lado da experiência medida, o relatório da Opensignal sobre o Brasil publicado em janeiro de 2026 mostra a Vivo vencendo em Download Speed Experience com 51,3 Mbps, a Claro em segundo por cerca de 2 Mbps e a TIM em terceiro com 42,2 Mbps. A TIM vence em 5G Availability (com que frequência havia 5G disponível) e a Vivo em 5G Download Speed, com vantagem de quase 14 Mbps sobre a Claro. Nas capitais, a média de download em 5G supera 250 Mbps, mas a diferença entre cidades chega a cerca de 150 Mbps.
Isso importa na hora de escolher um eSIM de roaming: o que muda o seu dia não é o rótulo 5G no anúncio, e sim a qual rede brasileira o perfil se conecta no trecho onde você vai passar mais tempo. Planos que declaram acesso a mais de uma operadora hospedeira dão margem de manobra fora do eixo Rio–São Paulo.
5. Roteiro prático, na ordem certa
- Confirme que o aparelho é compatível com eSIM e está desbloqueado. A base de tudo é a especificação de Remote SIM Provisioning da GSMA; a lista de implementações por modelo está no material da entidade.
- Verifique a situação do IMEI na consulta pública da Anatel antes de viajar, principalmente se o aparelho foi comprado de segunda mão ou em mercado paralelo.
- Instale o perfil de eSIM ainda em casa, numa conexão estável. Instalar antes e ativar depois da chegada é o padrão que evita depender do Wi-Fi do aeroporto.
- Só considere chip brasileiro se você tiver CPF e endereço no país. Sem esse par, a ativação pelo ID Digital não conclui — e o chip comprado não é reembolsado por isso.
- Se o roteiro sai das capitais, prefira um plano que não dependa de uma única rede hospedeira, pela concentração que a própria Anatel aponta em municípios pequenos.
Perguntas frequentes
Um estrangeiro consegue comprar e ativar um chip pré-pago no Brasil?
Comprar, sim; ativar é o problema. Pelo procedimento ID Digital descrito pela Anatel, a ativação exige CPF, data de nascimento e CEP de residência, seguidos de selfie e captura do documento de identificação original — a agência cita CNH e RG. Quem está de passagem normalmente não tem esses elementos, e a ativação não conclui. Por isso o eSIM de roaming é a rota que não depende de cadastro local.
O Brasil desligou as redes 3G?
Não. Desde 6 de abril de 2025 a Anatel só certifica aparelhos com 4G ou superior, por força do Ato nº 14430/2024, mas a própria agência esclarece que isso não indica o desligamento das redes 2G e 3G — a transição será definida pelas prestadoras, com acompanhamento da Anatel. Ainda assim, planejar uma viagem em 2026 apoiado em um aparelho somente 3G não é recomendável.
Meu celular comprado fora do Brasil pode ser bloqueado?
O programa Celular Legal bloqueia aparelhos irregulares: sem homologação válida, sem IMEI ou com IMEI clonado. Um aparelho de marca reconhecida, com IMEI válido registrado nas bases internacionais, não é alvo do programa. Ainda assim, vale conferir a situação do IMEI na consulta pública da Anatel e verificar as bandas suportadas, já que a homologação brasileira testa também a interoperabilidade com as redes locais.
Qual operadora brasileira tem a melhor rede?
Depende da métrica. No relatório da Opensignal sobre o Brasil de janeiro de 2026, a Vivo lidera Download Speed Experience com 51,3 Mbps e também 5G Download Speed; a TIM lidera 5G Availability e aparece com 42,2 Mbps na velocidade geral. Em participação de mercado móvel, o relatório da Anatel do 2º trimestre de 2026 traz Vivo com 37,9% e TIM com 22,4%. Para um eSIM de roaming, o que importa é a qual dessas redes o seu perfil se conecta na região do roteiro.
O 5G brasileiro vale a pena para o turista?
Nas capitais, sim: a média de download em 5G medida pela Opensignal supera 250 Mbps, e o 5G já responde por 23,9% dos acessos móveis do país, segundo a Anatel. Mas a diferença entre capitais chega a cerca de 150 Mbps e, fora dos grandes centros, a agência registra concentração de mercado em municípios com menos de 30 mil habitantes. Para roteiros de interior, estabilidade e escolha de rede pesam mais do que velocidade de pico.
Preciso de CPF só para usar internet no Brasil?
Não. O CPF é exigido para ativar uma linha brasileira pelo ID Digital, não para usar dados em roaming. Um perfil de eSIM emitido no exterior conecta-se às redes brasileiras por acordo de roaming e não passa pelo cadastro nacional de pré-pagos. O CPF volta a ser necessário se você quiser um número brasileiro para receber SMS de bancos, aplicativos de transporte ou serviços que exijam linha local.
Referências (fontes primárias)
- Anatel — Cadastro de Celulares Pré-Pagos (ID Digital)——descrição oficial do procedimento de ativação: CPF, data de nascimento e CEP de residência, captura do documento original e selfie, Termo de Veracidade, documentos aceitos (CNH e RG), histórico do projeto desde 2018 e o portal de consulta por CPF.
- Anatel — Relatório de Monitoramento da Competição do 2º trimestre de 2026 (15/07/2026)——276,4 milhões de acessos móveis (+3,7% em um ano), 5G em 23,9% da base (66,1 milhões de linhas), Vivo 37,9% e TIM 22,4%, banda larga fixa em 55,4 milhões com fibra acima de 80%, e o alerta de concentração em municípios com menos de 30 mil habitantes.
- Anatel — Celular Legal——página oficial do programa de combate a aparelhos irregulares, com a consulta de Situação do Celular (IMEI) e o funcionamento da base nacional de aparelhos bloqueados.
- Anatel — Somente poderão ser certificados celulares compatíveis com tecnologias mais modernas——a notícia oficial que fixa a exigência de 4G ou superior na certificação a partir de 6 de abril de 2025 e esclarece expressamente que a medida não indica o desligamento das redes 2G e 3G.
- Anatel — Ato nº 14430, de 7 de outubro de 2024——o texto normativo em si, que atualiza os requisitos de certificação de Estações Terminais de Acesso e telefones móveis celulares e veda a certificação de produtos compatíveis apenas com 3G ou tecnologias anteriores.
- Anatel — Orientações para aquisição de aparelhos celulares——por que a homologação importa (testes de segurança, emissões de radiofrequência e interoperabilidade com as redes brasileiras) e como consultar modelos homologados no Sistema de Certificação e Homologação (SCH).
- Opensignal — Brazil Mobile Network Experience Report (janeiro de 2026)——medição independente da experiência real: Vivo com 51,3 Mbps em Download Speed Experience e vitória em 5G Download Speed, TIM com 42,2 Mbps e vitória em 5G Availability, médias de 5G acima de 250 Mbps nas capitais com diferença de cerca de 150 Mbps entre cidades.
- GSMA — especificação de eSIM e suporte de dispositivos——o padrão de Remote SIM Provisioning (RSP) para consumidores em que todo perfil de eSIM se apoia, e o registro de referência sobre a implementação em cada modelo.
Países vizinhos costumam entrar no mesmo roteiro, mas as regras de cadastro e de aparelho são independentes — vale ler separadamente: Argentina, Chile e Peru. Os demais destinos estão no índice por país.
Nota editorial: esta página foi escrita a partir das páginas e atos oficiais da Anatel, do relatório de medição independente da Opensignal e da especificação de eSIM da GSMA. Não citamos blogs de viagem nem material de marketing de revendedores. Quando um número vem com data, a data se refere ao período de apuração ou à entrada em vigor da norma, e não à data de publicação desta página. Regras de cadastro, certificação e preços mudam; confirme novamente no momento da compra. O que não pode ser verificado em fonte primária — por exemplo, preços de varejo atuais e a composição de pacotes de cada operadora — não é inventado aqui. A política de apuração e de correções está em sobre nós. Última atualização: 5 de setembro de 2026.
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